Torres del Paine, o melhor da Patagônia chilena

Se gostou compartilhe!

Por Juliana Cherulli

Foi chorando que eu comecei o trekking. Sim, chorando, literalmente. Ao chegar no camping Central, montei a barraca, e ao pegar a mochila pra iniciar a trilha começou um daqueles ventos que te carregam se você não senta ou se deita no chão. A barraca quebrou em dois lugares diferentes e não ficava mais em pé, e o pessoal do parque não tinha ferramentas pra ajudar no reparo, nem a silver tape deu conta. A chuva não dava trégua e o vento menos ainda. É o momento que você tem que decidir se vai voltar atrás porque tá no meio do nada na Patagônia Austral, com chuva, e sem ter onde se abrigar ou dormir, ou se você vai até o fim pra poder ver de perto as Torres del Paine com seus próprios olhos ao invés de só imaginar o frio que faz lá em cima. Como minha mãe fala “se vira”. 

É considerada uma trilha de alta dificuldade. Foram 20 km pra ir e voltar e nove horas de caminhada, no total. 

Saí chorando e subi xingando até quem não merecia. O que dói é o psicológico. Várias vezes pensei em voltar por julgar que não iria dar conta do resto. Mas aí você lembra de subir a Lion’s Head só com um pão na barriga, dos degraus pro Tesouro de Petra, e de atravessar o Saara em uma van que não explodiu (não é preconceito, é uma realidade possível), e até mesmo da vez que resolvi fazer trilha de All Star e, então, percebi que daria conta sim. 

A volta foi cantando, o que doía era o joelho, pelo frio ou pelo impacto, eu não sei. A trilha já tinha virado um mini rio pois a chuva não parou em nenhum momento e o joelho já não dobrava. O casaco, a calça e as botas que eram impermeáveis estavam encharcados, mais peso pra carregar.

Mas cheguei no acampamento, aluguei uma barraca que troquei pelo meu rim e capotei, depois de comer um kiwi, porque nesse ponto da vida eu já poderia me considerar fitness.

 

Total de tombos: 2

Água: 2 litros

Comida: duas bananas, um chocolate, bolachas de chocolate com menta, um kiwi e um danone.

O que mais tinha na mochila: luvas, gorro, celular, máquina fotográfica, documentos e dinheiro, uma capa de chuva e mais um casaco.

O que molhou: tudo, tudo, tudo. Mesmo o que era impermeável.

Lição de moral: não adianta nada planejar as coisas.

Socorro!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *